Brigas, traição e pressão por união estável: o que suspeita de envenenar namorado com brigadeirão disse em depoimento à polícia
03/06/2024 10:05 em Notícias

Júlia Pimenta, suspeita de matar o empresário Luiz Marcelo Ormond, prestou depoimento sobre a morte do namorado no dia 22, dois dias após o corpo dele ser encontrado em estado avançado de decomposição. Segundo o delegado responsável, ela demonstrou extrema frieza ao falar sobre o caso.

Fantástico deste domingo (2) mostrou com exclusividade trechos do depoimento e deu detalhes da trama que culminou na morte de Luiz Marcelo.

Liberada por falta de base legal para a prisão no momento do depoimento, Júlia segue foragida.

 

O relacionamento

 

Júlia Pimenta e Luiz Marcelo tiveram um relacionamento entre 2013 e 2017. O namoro só foi oficializado em 2023. Em abril, eles passaram a morar juntos em um apartamento na Zona Norte do Rio de Janeiro. Na mesma época, o canal anunciou que estava casado.

 

As brigas começaram logo depois. "Eu percebi que ele estava muito cansado, muito estressado. E quando ele voltava no almoço, ele apagava", relatou Júlia.

"Ele falava muito que vivia muito em briga com ela, ele sempre falava comigo, que eles brigavam muito e tudo mais. Ele era um cara que tinha medo de casar, que ele falava pra mim, por causa dos bens dele, com medo de separar", revelou um amigo de Marcelo que não quis se identificar.

Segundo outra testemunha, Júlia pressionava o namorado por uma união estável. Mas o namoro acabou em menos de um mês.

Em seu depoimento à polícia, Júlia contou que o que motivou a separação foi uma traição de Marcelo.

 

O corpo

 

No mesmo dia da suposta separação, os vizinhos sentiram um forte cheiro e chamaram os bombeiros. O corpo de Luiz Marcelo foi encontrado no sofá do apartamento em avançado estado de decomposição.

 

A perícia afirma que a morte ocorreu entre três e seis dias antes. Os investigadores suspeitam que a vítima tenha comido um brigadeirão envenenado por Júlia. Ainda não há um laudo conclusivo sobre a causa da morte.

Luiz Marcelo aparece carregando a sobremesa em imagens do dia 17 de maio, três dias antes do corpo ser encontrado.

 

Motivação

 

Para o delegado responsável pela investigação, o crime teve motivação econômica.

"Nós temos elementos que a Júlia estava em processo de formalização de uma união estável com a vítima. Mas, em determinado momento, o que nos parece, é que a vítima desistiu da formalização da união. Então isso até robustece a hipótese de homicídio e não de um latrocínio, puro e simples, porque o plano inicial me parecia ser realmente eliminar a vítima depois que essa união estável estivesse formalizada", explica.

 

Envenenamento

 

Júlia teria comprado medicamentos de uso controlado dias antes da morte do namorado.

A suspeita de envenenamento ganhou força depois da prisão de uma suspeita de envolvimento no caso, a cigana Suyany Breschack.

"Ela me disse 'Não estou mais aguentando esse porco, esse nojento, eu vou matar ele", disse ela em depoimento.

 

À polícia, Suyany contou que realiza limpeza espiritual em Júlia.

"Ela pegava e pedia para mim sempre banho, limpeza, descarrego para ele [Luiz Marcelo] não descobrir que ela estava fazendo o programa, para mãe não descobrir que ela estava fazendo programa", continuou.

Suyany disse também que Júlia tinha uma dúvida de quase 400 mil reais com ela. E que teria conversado com a foragida logo após o crime. Segundo ela, Júlia confessou ter matado Marcelo com o uso do medicamento Dimorf. Ela teria colocado a droga moída no brigadeirão servido ao namorado.

A cigana revelou, ainda, que Júlia teria levado o carro de Luiz Marcelo até ela no sábado, como pagamento de parte da dívida. No veículo, estavam vários objetos da vítima, como um computador e armas legalizadas.

"A Suyany trabalha com cartas e búzios e a Júlia era cliente dela. A Suyany é inocente e não tem a ver com os fatos criminosos em questão", afirmou o advogado da cigana, Cleison Rocha.

O carro foi entregue a Victor Ernesto de Souza, ex-namorado de Suyany, que está preso por receptação.

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